TRANSPORTE RODOVIÁRIO TRAVA O ABASTECIMENTO DE GÁS DE COZINHA

14 de abril de 2020, às 10:03

A compra antecipada do Gás de Cozinha pelos consumidores continua dando muita dor de cabeça para o setor de revenda de GLP.
Com o anúncio da Pandemia do COVID-19, houve uma corrida às revendas para comprar o botijão de gás, resultou em um atraso na reposição do gás para as revendas e ainda não voltou ao normal.
Com a redução do trafego de veículos houve uma grande queda na venda de combustíveis no país, que acabou atingindo diretamente a produção de GLP na Petrobras.
A Petrobras passou a importar mais GLP, para suprir essa demanda inesperada, serão 350 mil toneladas de gás, equivalente a 27,4 milhões de botijões de 13 quilos que irão chegar durante o mês de abril.
Esse volume é suficiente para repor a escassez do gás nas revendas que na maior parte do país estão sem estoques, mas, o transporte não tem ajudado.
Hoje podemos dizer que temos GLP suficiente para atender a necessidade da reposição dos estoques assim como atender os consumidores, mas estamos travados no sistema logístico.
O Brasil não tem infraestrutura suficiente para enfrentar alterações bruscas no consumo d e GLP.
O país já importava 30% do GLP consumido pelos brasileiros, com a Pandemia do Covid-19 e a redução de consumo de combustíveis esse número poderá inverter, dessa forma entendo que, se medidas urgentes não forem tomadas para mudar a logística continuaremos travados pela ineficiência dos portos brasileiros e do transporte rodoviário de GLP.
É preciso que os navios gaseiros possam descarregar em mais portos estratégicos pelo brasil para acelerar as entregas de GLP por dutos para as distribuidoras que efetuam o envase dos botijões.
Os revendedores e seus colaboradores estão em plena atividade, sem paralisações por conta da pandemia, mas não tem como garantir o atendimento aos consumidores, por falta de estoques.
Mesmo a Petrobrás entregando a cota comprometida com as distribuidoras, a operação tem sido parcial devido ao recebimento regrado em relação ao consumo atual, mantendo um abastecimento racionado para manter os estoques parciais nas revendas o que não atende a necessidade dos consumidores.
O custo operacional das revendas tem aumentado muito especialmente aos que retiram o gás com caminhões próprios, os veículos rodam com cargas reduzidas devido ao racionamento nas distribuidoras além do tempo perdido em filas para as destrocas de vasilhames.
O Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Petróleo –ANP, estão monitorando diariamente o mercado de GLP, estão trabalhando para garantir o abastecimento nacional, mas mesmo com todo os esforços, o produto não tem chegado as revendas devido a precária logística entre a Petrobras e  as distribuidoras

José Luiz Rocha – Presidente da Abragás