Revendas de GLP iniciaram 2018 com grandes desafios em busca da sobrevivência.

11 de janeiro de 2018, às 10:32

Após uma tempestade de aumentos nos preços do GLP no ano de 2017, que elevou os preços do produto na Petrobrás em quase 70%, estamos iniciando o ano de 2018 com um mercado muito turbulento e com um considerável aumento nas concorrências desleais.
As gigantes distribuidoras com seus aplicativos próprios ou parceiros através de sociedades quase ocultas, desencadearam promoções com créditos telefônicos e descontos vinculados a cadastros e cartões de créditos, oferecendo descontos desproporcionais em referência a margem bruta dos revendedores, levando os preços do botijão de gás de 13kg abaixo do valor de compra das revendas autorizadas pela ANP que atuam nesse mercado.
Isso mostrou claramente o apetite das distribuidoras em manter o cliente vinculado e fidelizado a sua marca, de forma a não permitir que as revendas construam suas imagens perante os consumidores. A indecisão do CADE com referência ao processo de aquisição da Liquigás pelo grupo Ultra levou o mercado a uma disputa por Market Share, onde a troca de bandeiras entre revendas vinculadas se tornou comuns e a guerra de preços aumentou entre os competidores.
Nesse momento se faz necessário que, os empresários do setor reflitam sobre suas decisões antes de assumirem compromissos contratuais com seus fornecedores.
A conta está ficando muito cara aos revendedores e os benefícios estão claramente em favor das distribuidoras devido ao vínculo que as campanhas dos aplicativos das marcas tem implementado.
Não podemos ser contra e nem impedir as facilidades que a tecnologia nos tem trazido nos últimos tempos através dos Apps, mas não dá para aceitar as distribuidoras usarem o poder econômico desproporcional a realidade das revendas para fixar a imagem dos Apps aos olhos dos consumidores, deixando claro uma concorrência desleal ou até uma ação de dumping frente a fragilizada revenda de GLP.
Infelizmente os órgãos antitruste ou o órgão regulador, tem feito vistas grossas aos acontecimentos e de forma clara tem beneficiado a concentração de mercado, que fechou 2017 com 93,42% sob o controle de 5 distribuidoras.
Em novembro/2017 a ANP prorrogou os prazos das resoluções 49/16 e 51/16 que alterava as regras de atuação no mercado proibindo a verticalização, isso é, impedindo que uma gigante distribuidora competisse com um minúsculo revendedor.
A revenda mais uma vez foi aparentemente desprezada com a atitude da diretoria colegiada da ANP prorrogando por mais um ano a decisão do fim da verticalização parcial, já que a resolução ainda permitirá as distribuidoras manterem revendas próprias.
Já contamos com uma rede de mais de 68.000 revendedores autorizados e ainda competimos com mais de 200.000 agentes clandestinos atuando em todas as regiões do país, as distribuidoras e autoridades tem pleno conhecimento das operações irregulares pois as reclamações e denúncias do comercio ilegal de GLP se tornaram corriqueiras na ANP, imprensa e nos Ministérios públicos em diversas regiões do país.
Os consumidores estão a mercê de um serviço duvidoso, estima-se que 75% dos agentes que concluem as entregas de botijões nas residências, são agentes clandestinos fantasiados com uniformes das marcas se intitulando como legais.
Desta forma, nos resta convivermos com a competição predatória e ilegal, aceitar a acomodação dos órgãos antitruste e a omissão dos órgãos fiscalizadores ou então a classe unida recorrer à justiça na expectativa de dias melhores.

José Luiz Rocha
Presidente da Abragás